domingo, 13 de dezembro de 2015

DESCONFORTÁVEL, INCÔMODO, REFLEXIVO E REVOLTANTE!



Quem me conhece sabe o quanto sou fã de bons filmes. Dentre eles o gênero drama, suspense, cômico ou comédia romântica, histórico, autobiográfico ou ficção científica.
Até 2008 eu tinha um caderno no qual costumava colocar os nomes e avaliações de todos os filmes que assistia, mas com a última reforma que fiz em casa acabei perdendo o tal caderno! Mas nunca deixei de avaliá-los, e hoje faço isso no facebook por meio de estrelas.

Eu poderia começar as resenhas filmográficas por algum dos clássicos como “Rocky-Um lutador”, que já o assisti inúmeras vezes e é um dos meus favoritos! Mas resolvi começar por um drama sensacional sobre um professor infantil que assisti recentemente. Não serei prolixo nas resenhas filmográficas assim como não costumo ser nas resenhas literárias, e muito menos costumo usar “Spoilers”, pois gosto apenas de deixar minha opinião e o impacto que tive ao ler um livro ou ao assistir a tal filme, enfim, aguçar a curiosidade e o interesse do leitor ou telespectador sobre tal obra ou filme que vale a pena ler ou assistir! E o filme em questão se chama “A Caça”.

Em primeiro lugar, o longa é dirigido pelo dinamarquês Thomas Vinterberg, o filme representa a mais honesta paisagem da injustiça. Chegando a ser desconfortável, incômodo, reflexivo e até mesmo revoltante!

Adoro filmes sobre escritores, professores e lutadores. E esse é um deles, conta a história da vida serena do professor de uma creche, o protagonista Lucas, interpretado pelo excelente ator Mads Mikkelsen, que atualmente vive o protagonista da série Hannibal, uma das séries da Netfilx. O professor que acabara de se separar e ao mesmo tempo perder a guarda do filho, tem como tábua de salvação ou escape a alegria dos pequenos. Tal convívio o ajudaria a enfrentar o período difícil e obscuro que enfrentara em sua vida.

A pacata vida de Lucas começa a ser conturbada a partir de uma história contada por uma menina de cinco anos, que diz à diretora da creche que o professor teria lhe mostrado suas partes íntimas, sendo que tudo não passara de uma simples mentira! A essência do enredo do filme está embasada na dita crença de que “Crianças Não Mentem”! E como toda notícia ruim, a história se espalha pela cidade campestre feito pólvora, tornando-a rapidamente verdade, fato que vira a vida de Lucas de cabeça para baixo, ou seja, tudo em sua volta desmorona completamente.

Como toda pequena cidade e a que mora o professor, todos se conhecem. De repente seus companheiros de trabalho, seus amigos de infância, dentre eles o pai da menina da história maliciosa, praticamente todos os habitantes da dita cidade o julgam culpado e assim ficam contra ele, mesmo sem nenhuma prova cabal que o condene, simplesmente embasado nas palavras da menina que nem ao menos entende direito o que está se passando. E assim a criança tenta sem sucesso desdizer o que havia dito, mas isso apenas serve como ato de negação, reforçando ainda mais a evidência do tal suposto abuso!

Em suma: o filme tenta nos mostrar do que uma simples mentira é capaz de fazer à vida de uma pessoa, do quanto nós somos ávidos para julgar, culpar ou apontar os defeitos dos outros, até mesmo àqueles que não existem acabamos por inventar, porque somos indignados pela injustiça, mas também somos eternamente falhos ao agirmos instintivamente perante a mentira de um ato abominável! Tudo isso sem falar dos estigmas indeléveis deixados pela mentira!

terça-feira, 14 de abril de 2015

O ATO DE ESCREVER



Sabemos muito bem que, quem gosta de escrever e costuma postar o que escreve está se arriscando, porque seus pensamentos e sentimentos estarão mais expostos.  E sempre haverá quem goste e quem desgoste de suas postagens. Mas isso não será motivo para deixar de escrever, porque ninguém escreve para todo mundo, sempre haverá uma gama de pessoas que se identificarão com seus escritos. E naturalmente terá seus leitores assíduos.


Quanto à rejeição para o que se escreve ninguém está incólume dela, isso faz parte do jogo como qualquer outra profissão, assim como viver é um risco. E saber ouvir críticas construtivas faz de nós profissionais melhores. Quanto às críticas demolidoras que não influi e nem contribui para nosso crescimento, continue fazendo o que tanto gosta e foco nos seus verdadeiros leitores. São por eles que valem a pena continuar com o que escrevemos, sem se preocupar em agradar leitores arredios ou esporádicos.


Indubitavelmente há espaços e nichos para aqueles que querem se expressar, por isso use sem receio todas as ferramentas que estiverem ao seu alcance para tal fim, pois dessa maneira alcançará um número considerável de leitores para o que escreve. O ato de escrever é um ativismo que só se completa no leitor. Por isso que é relevante para quem gosta de escrever mostrar suas linhas, sejam elas tortas ou retas. Eis a importância de divulgar o que se escreve, não importa como são seus textos, porque se o leitor se identificar com eles, espontaneamente o encontrarão.

domingo, 16 de novembro de 2014

Até o Dia em que o Cão Morreu



Eis mais um belo livro lido, há muito não lia um livro bom! Mesmo não sendo um desses livros admiráveis ou herméticos como os de José Saramago ou Milton Hatoum, sua leitura é aprazível e simples, contendo apenas cem páginas, no qual pude lê-lo numa tarde.


Em seu livro de estreia, Daniel Galera, nos mostra um homem dentre seus 25 anos que consome os dias olhando a paisagem de pedra pela janela de seu apartamento vazio, situado no centro de Porto Alegre, bebendo cerveja ou caminhando sem destino pelas ruas da cidade. Até o dia em que um cão e uma modelo entram repentinamente em sua vida.


O narrador personagem tem dificuldade de escolher entre as privações do cotidiano e as infinitas possibilidades que os riscos oferecem a cada dia. Resignação na qual ele acaba viciado e pagando um preço alto por isso.


O personagem também sente temor de tomar decisões, privando-se da vida agitada, vive confinado em seu apartamento, passando os dias a fumar, a beber e a transar com a namorada, Marcela. Mesmo vivendo sem riscos emocionais, acaba sentindo os efeitos da ação e reação! E a partir de então o mundo se torna mais interessante, e aí, o personagem compreende o preço cobrado pelas paixões!


Com uma história vagarosa e uma lenta evolução, o autor consegue transportar o leitor para uma introspecção do seu personagem, onde quase nada acontece, e aí a morte vem para quebrar o ritmo da rotina que o consome lentamente, enfim, mostrar que tudo pode mudar. E assim a vida termina por revelar sua ternura.


O livro Até o Dia em que o Cão Morreu foi adaptado para o cinema por Beto Brant e Renato Ciasca, cujo título é Cão Sem Dono.


sábado, 19 de julho de 2014

O INCRÍVEL LEITOR


 
Decidi iniciar essa postagem com a seguinte indagação; o que é um leitor, o que realmente faz uma pessoa ser considerada uma leitora?

Na verdade há dois tipos de leitores; os esporádicos e os assíduos. Ou melhor, aquele que ler eventualmente e aquele que ler freneticamente, não que um seja melhor que o outro, apenas a paixão por tal oficio os diferenciam! Sim, eu disse oficio, porque ler também é um oficio. Se você é daquele que costuma ler uma vez ou outra, ou que só gosta de ler certos assuntos do momento ou somente aquilo que lhe interessa, pode se considerar um leitor esporádico. Mas um leitor mesmo ele sendo esporádico não quer dizer que não seja um leitor, eventualmente, mas é um leitor. Mesmo que nunca compreenderá a avidez de um leitor sequioso por suas leituras diárias e frenéticas!


Agora caro leitor, se você é daquele que ler tudo que cai em suas mãos ou tudo que está em sua volta, inequivocamente considere-se um leitor apaixonado, ou melhor, um leitor assíduo. Pois um leitor assíduo ler tanto o que gosta como tudo o que está em volta dele. Mas claro, sempre garimpando sua leitura. Esse tipo de leitor é um devorador das palavras, um faminto de saber, um apaixonado da leitura, um consciente ignorante por conhecer, ou um mero aprendiz das letras. O leitor assíduo não ler por ler, mas por sede de saber, aprender e compreender. Esse leitor sedento e enérgico em seu ritual matutino, vespertino ou noturno, sempre em busca de um prazer indescritível, tal prazer que só um leitor análogo o compreenderá!


Mas convenhamos caro leitor, que ainda existe um terceiro modo de leitura, da qual poucos estão familiarizados; aquela leitura minuciosa, atenta, compenetrada, de estilo hermético ou investigativo, onde alguns autores deixam lacunas entre linhas para que um leitor mais experiente e ávido possa encontrá-las. 


Entretanto, isso é necessário e imprescindível para tornar-se num incrível leitor!

quinta-feira, 17 de julho de 2014

DOIS IRMÃOS



Esse livro narra a história de dois irmãos gêmeos de temperamentos completamente diferentes e seu drama familiar, como são construída as relações de identidade e a realidade de uma família em crise.


Os dois irmãos gêmeos – Yaqub e Omar – são o enredo central da história, no qual é narrado suas relações com a mãe, o pai e a irmã caçula. Além do drama familiar moram na mesma casa Domingas, a empregada patriarcal da família e seu filho. Já o dito filho da empregada é o narrador de toda a história, ele narra a difícil realidade da convivência muitos anos depois, e os dramas que testemunhou calado por todo esse tempo. Ao tentar encontrar a identidade de seu pai dentre os homens da velha casa, ele também tenta reconstruir o passado despedaçado, ora como testemunha, ora como ouvinte.


Feito um exímio observador desprezível, o narrador nos mostra personagens que se entregam ao incesto, às intrigas, à vingança e à paixão descomedida. Entretanto, ainda nos é mostrado o lugar pelo qual a família ocupa na cidade de Manaus, as metáforas da decadência, a passagem do tempo e tragédia familiar!


O autor se utiliza do artifício da nostalgia para contar essa magnífica história de relações e intrigas, na qual acabamos nos encontrando em algum dos personagens.


Dois irmãos, Prêmio Jabuti 2001 de Melhor Romance.